

Quando falamos em próstata, logo a palavra câncer e as sequelas de seu tratamento vem a mente dos homens. Mas você sabia que hoje é possível tratar um câncer de próstata com métodos minimamente invasivos com recuperação rápida e menor risco de sequelas?
Este é o é o assunto que queremos abordar neste vídeo.
O que é a próstata
A próstata é uma glândula presente apenas nos homens, situada logo abaixo da bexiga, envolvendo o canal da uretra. Seu tamanho normal é semelhante ao tamanho de uma noz.
Sua função, em conjunto com as vesículas seminais, é produzir parte do líquido ejaculado, o esperma. A próstata pode ser acometida por basicamente três tipos de doenças:
- Prostatites: que são processos infecciosos e inflamatórios da próstata, causados por agentes bacterianos. Geralmente se manifestam com sintomas de ardência e dificuldade de urinar, associados a febre e mal-estar geral, devendo ser tratados com antibióticos específicos.
- Hiperplasia prostática benigna: conhecida pela sigla HPB, que nada mais é do que um crescimento benigno da próstata, comum após os 50 anos de idade e que pode gerar sintomas de dificuldade de urinar, jato urinário fraco e fino e vontade frequente de urinar.
- Câncer de próstata: o câncer de próstata não desenvolve sintomas na maioria dos homens. Por isso, o rastreamento com exames de toque retal e exame de sangue, o PSA, é indicado para todos os homens a partir dos 50 anos.
Os principais fatores de risco para o câncer de próstata são idade (cerca de 60% são diagnosticados em homens com mais de 65 anos de idade), histórico familiar e raça negra.
E como o câncer de próstata pode ser diagnosticado?
Como a maioria dos homens não desenvolve sintomas, a suspeita inicial ocorre quando temos uma alteração nos exames, seja do PSA ou no toque retal.
O PSA é uma glicoproteína produzida pela próstata e um aumento dos seus níveis sanguíneos pode ser um indicativo de câncer de próstata. Porém é importante ressaltar que o aumento do PSA não necessariamente é sinônimo de câncer de próstata, visto que outras doenças da próstata podem também elevar os níveis do PSA.
Por isso, uma avaliação em conjunto com o exame de toque retal se faz importante. O toque retal é um exame rápido, indolor, e nos permite avaliar a consistência da próstata e palpar possíveis nódulos suspeitos.
Assim, uma vez que temos uma alteração suspeita para câncer de próstata, seja no PSA ou no toque retal, o próximo passo seria realizar uma ressonância magnética da próstata.
E caso a ressonância magnética evidencie um nódulo suspeito, aí sim solicitamos a biópsia da próstata.
A biópsia da próstata consiste na retirada de pequenos fragmentos da próstata para análise microscópica. Este procedimento é realizado com auxílio de um ultrassom por via transretal, geralmente sob sedação, e o médico retira em média de 12 a 18 fragmentos da próstata com uma agulha específica.
E uma vez que o paciente é diagnosticado com câncer de próstata, qual o tratamento?
Isto vai depender da análise de alguns fatores: idade do paciente, comorbidades ou doenças prévias , estadiamento da doença (localizada ou avançada) e a agressividade da doença ( baixo risco, intermediário ou alto risco). Especificamente, nos pacientes com doença localizada de baixo risco ou risco intermediário, temos algumas opções de tratamento:
- Vigilância ativa: indicada em casos bem selecionados de doença localizada de baixo risco, que consiste apenas em acompanhar a evolução da doença com exames de PSA, ressonância ou biópsia, e caso ocorra progressão indicamos tratamento.
- Radioterapia: é uma opção para tratar doença localizada em pacientes que não têm condições clínicas para serem submetidos a cirurgia.
- Terapia focal: é outra opção de tratamento para casos bem selecionados de doença localizada. Consiste na utilização de energia térmica, ou seja, ondas de calor, para destruir os nódulos de tumor dentro da próstata.
- Hifu (high intensity focused ultrasound): um aparelho introduzido por via retal e com auxílio de imagens de ressonância e ultrassom dispara ondas térmicas realizando o que chamamos de “ablação” do tumor.
- Cirurgia: o tratamento que definimos como “padrão ouro” para câncer de próstata localizado é a cirurgia, permitindo em média 90% de chances de cura neste grupo de pacientes.
Cirurgia Robótica
A cirurgia chamada de “prostatovesiculectomia radical” consiste na retirada de toda a glândula prostática e vesículas seminais. Ela pode ser realizada de três maneiras, ou seja, por três tipos de acesso:
- Convencional ou aberta: que é o método tradicional, com cortes e maior agressividade.
- Cirurgia laparoscópica: onde os acessos são por pequenos orifícios no abdome, sem grandes incisões, já se tratando de uma técnica minimamente invasiva.
- Prostatectomia robótica: a cirurgia robótica tem representado uma grande evolução para o tratamento minimamente invasivo do câncer de próstata.
A cirurgia robótica proporciona inúmeras vantagens, tanto para o cirurgião quanto principalmente para o paciente, uma vez que os acessos são realizados por pequenos orifícios no abdome, como na laparoscopia, onde são inseridos os instrumentos e uma câmera, que são então acoplados aos braços de um robô.
Os braços do robô e os movimentos das pinças e da câmera são todos controlados pelo cirurgião, que opera sentado em um console com uma espécie de “joystick”.
O sistema robótico auxilia o cirurgião a realizar o procedimento com mais precisão, livre de tremores, com mais flexibilidade de movimentos além de uma visão aumentada das estruturas e em 3d.
Tudo isto se traduz em maior segurança e melhores resultados do ponto de vista oncológico e funcional ao paciente. Especificamente na prostatectomia radical, a preservação de estruturas responsáveis pela continência urinária e pela função sexual são um ponto crítico da cirurgia, e o auxílio do robô tem se mostrado muito favorável, permitindo uma recuperação mais rápida da continência urinária e da função sexual aos pacientes, sem detrimento do resultado oncológico da cirurgia. Além disso, podemos citar outras vantagens da cirurgia robótica por se tratar de uma técnica minimamente invasiva, como menos dor, menor sangramento, menor tempo de recuperação e retorno mais rápido às atividades do dia a dia.
O câncer de próstata, quando diagnosticado em fases iniciais, tem altos índices de cura.
Procure seu urologista, realize seus exames de rotina e informe-se sobre os tratamentos disponíveis.