

A cirurgia robótica saiu da ficção e já é adotada em diversos campos da saúde. Surgiu nos Estados Unidos, no final da década de 1990, e , desde lá, mais de 4 milhões de pessoas no mundo foram operadas com o auxílio da tecnologia. O Brasil começou a empregar essa ferramenta em 2008 e realizou cerca de 5 mil intervenções.
Ao todo, mais de 40 consoles (que compõem os robôs) estão instalados no país. Em Santa Catarina, o Hospital Santa Isabel, de Blumenau, consagra-se como o primeiro do Estado a disponibilizar o sistema Da Vinci para cirurgia robótica. Além desse, há sistemas em penas outros dois hospitais do Sul do país.
O Da Vinci foi criado pela Intuitive Surgical, em 1998. A cirurgia pioneira com robô ocorreu no mesmo ano: foi um bypass coronário, na Alemanha. Até que o avanço robótico chegasse à sala cirúrgica, foi um longo caminho. Os primeiros robôs a aparecer nas cirurgias remetem ao inicio da década de 1980, utilizados para auxiliar em cirurgias ortopédicas e realizar biópsias neurocirúrgicas.
Os sistemas robóticos cirúrgicos foram desenvolvidos pelo Pentágono, nos Estados Unidos, para permitir o tratamento a distância de soldados feridos. O projeto não foi adiante, devido a limitações tecnológicas e dilemas éticos. A era da robótica moderna só se iniciou com a intervenção da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). Posteriormente, a tecnologia foi trazida ao público.
Em 2000, o Da Vinci foi aprovado pela Administração de Alimentos e Drogas (FDA), nos EUA, para cirurgia laparoscópica. Nesse mesmo ano, em Paris, registrou-se a primeira prostatectomia radical (retirada do câncer de próstata) pelas “mãos” de um robô.
Atualmente, o sistema Da Vinci é o único do gênero no mercado. O Hospital Santa Isabel adquiriu o Da Vinci SI, uma das três gerações do sistema. O aparato possui quatro braços: em um deles, está a câmera com imagens em 3D, e, aos outros três braços, acoplam-se pinças com movimentos 360º que podem ter ajustes até dez vezes mais precisos que a mão do ser humano. Cada movimento mínimo do médico no console dos braços do robô é conduzido pelo equipamento, ignorando tremores normais das mãos humanas. O recurso permite cirurgias mais complexas e melhores resultados.
*Matéria originalmente publicada na Revista Conecthos – Hospital Dona Helena, Joinville. MAIO 2019
Veja a entrevista: Cirurgia Robótica e Urologia